O Corso Alegórico, admirado por muitas pessoas, começou a ser realizado na segunda edição da Festa de Uva, em 1932. As “carretas alegóricas”, ainda puxadas por bois, retratavam a vida e os costumes das pessoas da região, herança deixada pelos que aqui chegaram durante a imigração italiana.
Apesar de mais moderno, o trabalho do colono, representado pela uva e pelo vinho, nunca é esquecido nesse momento importante da Festa da Uva.
Local: Centro da Cidade, Rua Sinimbú.
Arquibancadas: Valores por pessoa/desfile:
Arquibancada coberta: R$ 25,00
Arquibancada promocional ( Coberta em pé ou descoberta sentados) : R$ 15,00
Os desfiles de 2010 já tem data e hora marcadas. Confira:
18 de fevereiro - quinta-feira - 17h
21 de fevereiro - domingo - 18h
24 de fevereiro - quarta-feira - 20h
28 de fevereiro - domingo - 18h
03 de março - quarta-feira - 20h
06 de março - sábado - 18h
Quadros do Corso Alegórico
Quadro I
Quadro síntese dos fatos que acontecem entre 1875, início da imigração, e o estabelecimento da cidade, em 1º de junho de 1910. Caxias do Sul já tem porte para trazer o trem, e por meio dele importa-se conhecimento e exporta-se produção. O movimento dos braços mecânicos e engrenagens, somados à força humana, representa o avanço e a evolução. Crianças fazem a ligação deste quadro com o próximo. Aqui elas representam o futuro, religando a ideia inicial da mulher terra-gestação. Usam chapéus de palha, outra menção à produção local exportada.
Quadro II
Esse quadro representa a vitória das vontades sociais. O fogo dá a ideia de segurança, de luz e de aquecimento, que permite a transformação dos alimentos e dos materiais, outro sinal de avanço. O fogo também simboliza o conhecimento e a experiência que são passados através das gerações. Os figurantes são senhores e senhoras em tecido cru. Eles se adornam com madeira e elas com macramé. Levam lanternas de onde crianças acendem seus pequenos fogos e fazem toda a ligação deste quadro com anterior. Aqui, o fogo vem simbolizando a transformação, que deve sugerir o que se venceu: o medo e a fome.

Quadro III 
A alegoria referencia as manifestações, indicando a vontade de celebrar. Caxias do Sul, ao contrário do cenário geral de crise, apresenta-se bem estabelecida, sustentável e próspera. O carro mostra a produção e manifestação artístico-cultural em madeira (num lado representando a videira e no outro o trabalho neogótico das igrejas) e mármore, terminando em chaminés (funcionando), representando a industrialização moderna da cidade (metalúrgica, química, agrícola, alimentícia, vinícola e madeireira).
Quadro IV
Esse quadro simboliza a negação dos direitos. Ele mostra um novo tipo de escravidão: o desrespeito às origens, o impedimento das manifestações. O carro inicia com a desconstrução da bandeira do Brasil, em tons escuros, estabelecendo referência a uma Nação que subjuga um povo considerado traidor, mas que na verdade é ela que o trai. Seguem homens e mulheres com vestimentas em preto e tons de cinza. As composições são em lã e metal, materiais que ganham impulso na produção de interesse militar. O figurino mostra as poucas possibilidades de expressão. A aparência deve ser pesada, mas todos cantam Da l’Italia noi siamo partiti, muitas vezes levantando o braço num gesto de protesto, no sacrifico pela liberdade. A ideia é todo o trabalho anulado agora pelo esforço de guerra. O sonho, que se transforma em vontade, que se transforma em ação, perde-se pela pressão política.
Quadro V 
Alude a “Caxias Pátria”, a reconciliação com a Nação. A ideia é a revalorização da identidade regional, proibida na cena anterior. Caxias não é mais imigrantista e sim pioneira. O carro é uma instalação da cestaria usada na colheita e armazenagem da uva. Continua com grandes tinas de madeira onde rapazes e moças dançam amassando a uva. Continua com uma grande faixa de tecido que gira em evoluções mostrando os estudos, desenhos e pinturas de Aldo Locatelli. Termina com um enorme número de bandeiras imponentes, algumas com as cores da Pátria, outras com as cores da cidade e muitas com detalhes do monumento Nacional ao Imigrante (um pedido oficial de desculpas dos presidentes Eurico Gaspar Dutra e Getúlio Vargas, movidos por pressões políticas de Dom José Barea e o governador Valter Jobim ). Inicia-se nesta época a tradição da visita dos presidentes da Nação à Festa da Uva.
Quadro VI
O sexto carro celebra a modernização, a cultura (UCS e Teatro da Aliança Francesa) e a urbanização. A Festa da Uva torna-se evento nacional. O carro representa a civilização que o conhecimento traz consigo. Um bloco de granito negro e opaco, sugerindo uma rocha nobre, traz em sua parte posterior o fogo, símbolo do esclarecimento, da descoberta e da sabedoria. Retorna a ideia do fogo no quadro 02 como elemento de domínio e conquista. Esta rocha vai sofrendo, a partir daí, uma espécie de erosão mostrando aos poucos a forma de corpos humanos que se associam num volume só. Sucede um povo engenhoso e criativo que fará interações divertidas com o público em toda sua extensão.

Quadro VII
Quadro da pluriculturalidade. Com uma nova grande migração, Caxias torna-se cosmopolita. O carro é uma grande instalação artística que usa plásticos, metais e fios associados à ideia da industrialização e tecnologia avançadas. A trama industrial está nos elementos aglomerados, metais vazados, no produto em série, na formação da imagem e do produto - referência à microeletrônica, informática e primeira transmissão à cores, ao vivo, de caráter nacional. O elenco do quadro contracena com este conceito através do que fazem: reorganizam continuamente seu figurino com elementos do carro, com interações, com movimentos.
Quadro VIII
Aqui se vê uma “Caxias Internacional”: o polo metal-mecânico que é referência para o Brasil e Mercosul. Apresenta a síntese do processo de produção, que será explorado na modernização tecnológica e automação industrial. Também faz referência à malharia, que ganha cenário internacional e às missões de trocas de informações, conhecimentos e negócios.
Quadro IX
Esse quadro representa o acolhimento. Caxias humana com suas relações, seus afetos e suas formas de manifestações sociais. O carro é uma leitura de tudo o que surgiu de mais simbólico nos quadros anteriores, mostrando o que Caxias tem de melhor: subsistência, amparo, força, pioneirismo, futuro. O figurino é todo em branco e a ação é simples, porém carregada de simbologias. Homens de terno carregam cestos com pequenos pães frescos. Mulheres lindamente adornadas em rendas e adereços sobre as cabeças pegam um pão de cada vez e, muito significativamente, entregam para uma pessoa na ’plateia’. Abrem-se as portas, partilha-se o pão-alimento corpóreo e espiritual. Dá-se sustento, pousada e esperança de vida.
Quadro X
A última alegoria é a celebração do êxito. O pioneirismo profetizado realiza-se na grande conquista: a Festa da Uva. O carro é uma grande alusão ao fruto da videira, uma estrutura gigantesca em madeira entrelaçada carregando grãos de uvas em plástico translúcido. Uma iluminação móvel confere aos cachos todas as cores das estações do amadurecimento da uva. A base do carro é uma extensão de formas geométricas de tamanhos diferentes lembrando a textura dos parreirais. A festa surge na rua através de uma grande fanfarra que executa, de maneira alegre, uma música dinâmica que faz referência ao evento.